Tenho espondilite anquilosante. Tenho direito a algum benefício do INSS?

Se você foi diagnosticado com espondilite anquilosante e está encontrando dificuldades para trabalhar, provavelmente já se perguntou se tem direito a algum benefício do INSS.

A resposta é: depende.

Ter apenas o diagnóstico da doença não garante a concessão de um benefício previdenciário. O que o INSS analisa é se a espondilite anquilosante reduziu ou retirou sua capacidade para exercer o trabalho.

Neste artigo, você entenderá como o INSS avalia esses casos, quais benefícios podem ser concedidos, quais documentos são indispensáveis e o que fazer caso o pedido seja negado.


Como o INSS avalia a incapacidade causada pela espondilite anquilosante

A primeira informação que você precisa saber é que o INSS não concede benefícios apenas porque uma pessoa possui determinada doença.

Na prática, o foco da perícia médica é verificar se a enfermidade provoca incapacidade para o trabalho.

Isso significa que duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem receber decisões diferentes.

Por exemplo, um pedreiro que apresenta limitações importantes de mobilidade pode ser considerado incapaz para exercer sua profissão. Já um trabalhador administrativo, com o mesmo diagnóstico, pode continuar apto para suas atividades.

Portanto, a análise sempre considera:

  • a gravidade da doença;
  • as limitações funcionais;
  • a profissão exercida;
  • a possibilidade de reabilitação para outra atividade.

Em outras palavras, a doença pode ser a mesma, mas a incapacidade pode ser completamente diferente.


A espondilite anquilosante está na lista de doenças graves do INSS?

Essa é uma dúvida muito comum.

A resposta é não.

A espondilite anquilosante não está prevista no artigo 151 da Lei nº 8.213/91, que reúne as doenças que dispensam o cumprimento da carência de 12 contribuições para alguns benefícios por incapacidade.

Entretanto, isso não significa que o segurado não tenha direito ao benefício.

Em diversos casos, os tribunais reconhecem que a evolução da doença pode gerar incapacidade grave e permanente, desde que isso seja comprovado por exames e documentos médicos consistentes.

Assim, o elemento mais importante não é apenas o diagnóstico, mas sim a demonstração da incapacidade.


Quais benefícios do INSS podem ser concedidos para quem tem espondilite anquilosante?

Dependendo da situação, o segurado pode ter direito a diferentes benefícios previdenciários ou assistenciais.

Conheça os principais.

1. Auxílio-doença por espondilite anquilosante

O auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, é o benefício mais comum.

Ele é destinado ao segurado que precisa se afastar temporariamente do trabalho porque a doença impede o exercício de suas atividades.

Isso costuma ocorrer durante:

  • crises inflamatórias intensas;
  • troca de medicamentos;
  • períodos de recuperação após cirurgia;
  • agravamento temporário da doença.

Enquanto permanecer incapaz, o segurado recebe o benefício. Caso a incapacidade continue, é possível solicitar a prorrogação.

O valor corresponde a 91% do salário de benefício, respeitado o limite da média dos últimos 12 salários de contribuição.

Além disso, não existe limite para a quantidade de benefícios concedidos ao longo da vida, desde que cada período de incapacidade seja comprovado.


2. Aposentadoria por incapacidade permanente

A antiga aposentadoria por invalidez somente é concedida quando o segurado não consegue exercer nenhuma atividade profissional e não apresenta possibilidade de reabilitação.

Essa avaliação leva em consideração diversos fatores, como:

  • idade;
  • escolaridade;
  • experiência profissional;
  • limitações físicas;
  • possibilidade de adaptação para outra profissão.

Por esse motivo, pessoas com histórico profissional exclusivamente braçal costumam enfrentar maior dificuldade de reabilitação.

Desde a Reforma da Previdência, o cálculo também mudou.

Em regra, o benefício corresponde a:

  • 60% da média de todos os salários de contribuição;
  • mais 2% para cada ano que exceder 20 anos de contribuição para homens ou 15 anos para mulheres.

No entanto, existem exceções importantes.

Se a incapacidade decorrer de acidente de trabalho ou doença ocupacional, o benefício será calculado com 100% da média salarial.

Além disso, quem necessita da ajuda permanente de outra pessoa para realizar atividades básicas pode receber um adicional de 25%.


3. Aposentadoria da pessoa com deficiência

Poucas pessoas sabem, mas esse pode ser um dos melhores caminhos para quem possui espondilite anquilosante.

Isso acontece porque a doença pode gerar limitações permanentes que caracterizam deficiência para fins previdenciários.

Naturalmente, essa condição precisa ser reconhecida pelo INSS mediante avaliação médica e funcional.

Quando isso ocorre, o segurado pode obter vantagens importantes.

Entre elas:

  • aposentadoria mais cedo;
  • cálculo mais vantajoso;
  • possibilidade de continuar trabalhando após a concessão.

Em muitos casos, essa modalidade oferece resultado financeiro superior à aposentadoria por incapacidade permanente.

Por isso, antes de protocolar qualquer pedido, vale comparar cuidadosamente as duas possibilidades.


4. BPC/LOAS para quem não contribui ao INSS

Quem nunca contribuiu para a Previdência Social também pode ter direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Esse benefício assistencial garante o pagamento de um salário mínimo por mês.

Para isso, é necessário cumprir alguns requisitos:

  • possuir impedimento de longo prazo;
  • comprovar baixa renda familiar;
  • manter inscrição atualizada no CadÚnico.

Além disso, o INSS realiza avaliação médica e social.

É importante lembrar que o BPC não paga décimo terceiro salário, não gera pensão por morte e passa por revisões periódicas.

Como a fibromialgia pode apresentar sintomas semelhantes aos da artrite reumatoide em alguns casos, é importante conhecer as diferenças entre essas condições. Saiba mais em nosso guia completo sobre fibromialgia. https://nayaraoliveira.adv.br/fibromialgia-e-aposentadoria-entenda-seus-direitos-com-a-nova-lei/


Quais documentos aumentam as chances de aprovação?

A documentação médica costuma ser o fator que mais influencia o resultado da perícia.

Muitos pedidos são negados porque os laudos apenas confirmam o diagnóstico da doença, sem demonstrar como ela interfere na capacidade de trabalhar.

O ideal é apresentar um relatório médico contendo:

  • diagnóstico e CID;
  • tempo de evolução da doença;
  • exames realizados;
  • limitações funcionais detalhadas;
  • tratamentos realizados;
  • medicamentos utilizados;
  • prognóstico;
  • relação entre as limitações e a profissão exercida.

Além disso, reúna exames como:

  • radiografias;
  • ressonâncias;
  • tomografias;
  • exames laboratoriais;
  • receitas de medicamentos imunobiológicos;
  • relatórios de fisioterapia e terapia ocupacional.

Sempre organize os documentos em ordem cronológica.

Dessa forma, fica mais fácil demonstrar a evolução da doença ao longo dos anos.


Como funciona a perícia médica do INSS?

Durante a perícia, o médico avaliará os documentos apresentados, fará perguntas sobre sua rotina e realizará um exame físico.

Nesse momento, procure explicar suas limitações de forma objetiva.

Em vez de afirmar apenas que sente muita dor, descreva situações concretas.

Por exemplo:

  • quanto tempo consegue permanecer sentado;
  • quanto tempo consegue permanecer em pé;
  • se consegue abaixar para calçar os sapatos;
  • se consegue levantar peso;
  • se precisa de ajuda para atividades do dia a dia.

Além disso, explique como essas limitações impedem o exercício da sua profissão.

Essa informação costuma ter grande peso na decisão do perito.


Como solicitar o benefício do INSS?

O pedido pode ser realizado diretamente pelo portal ou aplicativo Meu INSS.

No sistema, basta selecionar a opção Benefício por Incapacidade e anexar toda a documentação médica.

Depois disso, o INSS agendará a perícia médica.

É importante apresentar documentos legíveis e completos, pois isso reduz o risco de exigências e atrasos.


O que fazer se o INSS negar o benefício?

O indeferimento não significa, necessariamente, que você não possui direito.

Após a negativa, existem duas alternativas.

A primeira é apresentar recurso administrativo dentro do prazo legal.

A segunda é ingressar com uma ação judicial, na qual será realizada nova perícia por um médico nomeado pelo juiz.

Em muitos casos, quando a documentação médica é consistente, a via judicial acaba sendo a alternativa mais eficiente.


Conclusão

A espondilite anquilosante pode comprometer significativamente a capacidade de trabalho. No entanto, o simples diagnóstico da doença não garante a concessão de um benefício do INSS.

O que realmente faz diferença é a qualidade das provas apresentadas.

Por isso, antes de protocolar qualquer pedido, organize toda a documentação médica, reúna exames que demonstrem a evolução da doença e verifique qual benefício é mais vantajoso para o seu caso.

Uma análise previdenciária individualizada pode evitar erros, aumentar as chances de aprovação e até mesmo garantir um benefício com valor superior ao inicialmente imaginado.

Saiba mais sobre o diagnóstico da artrite reumatoide na Sociedade Brasileira de Reumatologia. https://www.reumatologia.org.br/press-releases/espondilite-anquilosante-a-importancia-do-diagnostico-precoce/


Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a análise individual do seu caso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Posts Recentes

Precisa de um advogado?